Segunda-feira, 2 de Março de 2009

O deficit de Justiça

Num congresso tão supostamente importante como foi este do PS que levou o Primeiro-ministro a faltar à cimeira Europeia, cimeira crítica face à crise instalada, apenas disse sobre Justiça que é preciso "mais celeridade". Não é isto que diz a Nação. Não é isto que diz António Pires e Lima ou o PR, ou ainda no sítio www.smmp.pt/?p=2827. Todos sentimos a falta de Justiça em Portugal em praticamente todos os domínios. A Justiça é o sustentáculo do Direito. Pires de Lima dizia que não vivemos num Estado de Direito. E não vivemos. Portugal parece ser um paraíso para a criminalidade europeia e não só. A impunidade e permissividade das Leis, com especial responsabilidade pela revisão do Código do Processo Penal por este Governo, imperam. Criminosos são amplamente protegidos pela Lei enquanto as vítimas são abandonadas, penalizadas. Além da pequena e grave criminalidade, há ainda a criminalidade de colarinho branco que aparentemente só criminaliza um ou dois.

Faz falta, muita falta, cultura Ética no nosso país. Faz falta sentido de responsabilidade.

A impunidade que se vive fere profundamente a possibilidade de induzir ética e responsabilidade. A Revisão do Código de Processo Penal, a forma de apresentação de prova de crime, são absolutamente necessárias se queremos repor a Ética no comportamento dos cidadãos, e muito em especial dos nossos representantes na Governação. Sem esta revisão só nos resta assistir à derrocada final de Portugal e desta República. Mediana Carreira e Mário Soares já avisaram que isto, se continua assim vai acabar mal. E pelos visto nada de novo está previsto para a Justiça apenas um aumento da celeridade. E se, aparentemente, há menos processos pendentes não se deve a mais celeridade mas uma contenção dos cidadãos face ao presente Estado da Justiça: Não vale a pena defender-nos! Até quando é que isto vai aguentar?

E o que falar do Secretário de Estado da Educação que se indigna quando a jornalista lhe pergunta se "no final  aluno não tiver aproveitamento de todo o que acontece?". O Secretário de Estado afirma que isso não pode acontecer. O que se tem é que fazer tudo para que ele passe de ano. Os alunos chegarão ao 12º ano sem tear prendido a superar barreiras, a esforçar-se por aprender e vencer exames. Não estará certamente preparado para vencer no mundo empresarial, para ultrapassar dificuldades, aceitar desafios e vence-los. Passarão os anos perdendo a sequência da aprendizagem no primeiro ano em que se fosse avaliado não tivesse aproveitamento. Como poderá resolver equações se não aprendeu as fracções? Como poderá chegar ao 12º ano com aproveitamento?

Não só geramos alunos desintegrados nas disciplinas, como também desmotivamos os bons alunos que progridem lentamente e penosamente.

E no final temos pessoas com diplomas, exigindo emprego, a que o tecido empresarial não pode reconhece mérito, gerando revoltados, inconformados, sem ocupação, preparadas para actuações que podemos reconhecem existir nos países que seguram esta política.

Qual será o nosso futuro se mantivermos este estado de coisas. Está na hora de mudar. Num ano de eleições está na hora de mostrar o cartão vermelho e procurar que queira realmente mudar o Estado da Justiça e da Educação. É preciso MUDAR PORTUGAL enquanto é tempo. E está na nossa mão com o voto certo no partido certo. RF

 

publicado por ruyferreira às 13:08
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15 comentários:
De Zé da Burra o Alentejano a 2 de Março de 2009 às 15:35
Os partidos de esquerda (ou com tiques de esquerda) desculpam sistematicamente a criminalidade com o a pobreza e o desemprego. Parece terem receio de uma atitude mais enérgica na luta contra o crime. Será que ficaram traumatizados desde os tempos do fascismo? Esta postura está a desorientar o seu próprio eleitorado natural: os mais pobres que são também os mais desprotegidos face à criminalidade. Assim, os partidos de esquerda têm muita responsabilidade relativamente ao crescimento da extrema direita que tem um discurso bem mais sensato sobre o combate crime. Barack Obama que prometeu ser implacável no combate ao crime e defender ao mesmo tempo os mais desfavorecidos. Não me parece que isso seja incompatível.

Há 50 anos a pobreza em Portugal não era menor que a de hoje e a criminalidade violenta era praticamente inexistente. Se mais pobreza implicasse mais criminalidade, então não teria sido assim. As estatísticas nem reflectem a nossa realidade porque muitas vítimas já nem se queixam porque sabem que os criminosos são rapidamente postos em liberdade, mesmo quando são capturados e depois ficam sujeitos a represálias. Mela mesma razão, vítimas e testemunhas escondem a face quando são entrevistadas pela televisão.

Já há algum tempo um Mayor de Nova Iorque decidiu que não se deveria menosprezar a pequena criminalidade nem os pequenos delitos, porque a sensação de impunidade se instala nos jovens delinquentes, estes vão facilmente progredindo para infracções cada vez mais graves até que a situação se torna incontrolável. Implementou então a célebre "Tolerância Zero" que, como se sabe, deu óptimos resultados, reduzindo num só ano a criminalidade em Nova Iorque em cerca de metade.

A actual política portuguesa de manter na rua os criminosos, mesmo depois de várias reincidências, faz (como dizia o Mayor ) crescer a sensação de impunidade: o criminoso continua com as suas actividades criminais, vai subindo o nível dos seus delitos e serve de exemplo para que outros delinquentes mais jovens sigam o mesmo caminho.

Esta política errada está a atrair ao nosso país a criminalidade europeia (e não só), que se apercebe dos nossos cada vez mais "brandos costumes", daí a não ser estranho que quase metade dos condenados sejam estrangeiros.

Dificultar a obtenção de uma licença de porte de arma não tem qualquer efeito sobre os criminosos violentos. Quem acredita que eles tiram uma licença de porte de arma e a compram num armeiro legal? Não! Compram-na nos mercados do submundo do crime e muitas delas são até superiores às das polícias. O tempo em que os delinquentes faziam sobretudo uso de armas furtadas já lá vai, por isso dificultar a obtenção de uma arma legal serve para o criminoso se sentir mais seguro e impede a autodefesa da vítima, que pode sentir arrombarem-lhe a porta e nada poder fazer porque não tem com que se defenda. Há um ditado americano que diz: "mais vale ter uma arma e nunca precisar dela do precisar de uma e não a ter".

Enquanto isto acontece os nossos políticos vão desviando a atenção dos portugueses da realidade criminal do país: ora falando da "Violência Doméstica"; ora do número de detidos por "Excesso de Álcool relativamente ao permitido por lei"; ora da "Violência contra as crianças"; ora do problema da "Pedofilia"...


De Zé da Burra o Alentejano a 2 de Março de 2009 às 15:56
Mais uma achega: Em Portugal existe uma norma que não favorece nada a justiça, mesmo que a lei seja aplicada: "A LEGALIDADE PREVALECE SOBRE A VERDADE". Não pensando sequer na questão das prescrições, pode até provar-se um crime e não se provar nada, simplesmente porque as provas não podem ser consideradas ou porque foram conseguidas sem a autorização prévia de um juiz; ou porque se consegue levantar a suspeita de que o juiz não é imparcial, o que leva a que as provas deixem de ser válidas.

Conforme ficou acima, não admira que todos os casos mediáticos idos a Tribunal que envolveram figuras de relevo, tenham acabado ou estejam em vias de acabar com condenações insignificantes, penas suspensas ou sem qualquer condenação.

O motivo são as leis deste país, feitas por ilustres políticos que as idealizaram, aprovaram e fizeram entrar em vigor e nada mudará enquanto os portugueses mantiverem a sua orientação de voto neste "Centrão" PS/PSD que nos governa alternadamente desde há 30 anos.


De ruyferreira a 2 de Março de 2009 às 16:37
35 anos de esquerda centrista trouxeram-nos a um endividamento de 100% do PIB. Sempre a crescer. Dizem alguns que é a alavancagem. Ainda subsiste a ideia que o patrão, empresário é que é o mau da fita. Ainda não se percebeu que ele é gerou a empresa, arriscou o que é seu, gerou trabalhou, pagou os imposto de que o Governo vive, que o Governo se serve e distribui também no exercício da actividade social. Os trabalhadores pagam os impostos com o receberam. As empresas com o produto das vendas pagam os seus impostos. Qaundo existe recessão como irão pagar o PEC em função do ano anteiror? Como vão pagar hoje o IVA que irão receber a 90 ou a 270 dias? Recorrendo à Banca? E porque motivo pagam ainda por cima spreads altos? Será para sorver toda a capacidade de sobrevivência das empresas? Será para gerar desemprego ou falência? E porque é que a Banca paga 12% de IRC? Será para poder pagar aos seus altos quadros salários milionários? Recebendo depois reformas milionárias que sugam as reformas que efectivamente trabalharam e descontaram toda a vida! É a Justiça que está mal. É a Educação que está mal. É a Economia e o Tecido EMpesarial que está doente tentando sobrevir à verdadeira GUERRA comecial que constitui a arena dos negócios na economia global aberta.
Está na hora de mudar. É preciso MUDAR PORTUGAL. É preciso não deixar o voto em casa. São 3,2 milhões que não votam e que deixaram a 2,2 milhões a decisão da maioria absoluta no PS. PS que é quem mais tempo nos tem Governado, e com as suas políticas supostamente de esquerda arruiam o tecido empresarial, gerando desemprego e deslocalização. Nos últimos 13 anos a Governação foi PS, apenas interrompidos com 3 anos de PSD, um PSD acanhado e sistematicamente bombardeado por Ferro Rodrigues. Estrategia que o PSD felizmente não adoptou nesta legislatura, mesmo com 3 diferentes lideres.
RF


De Zé da Burra o Alentejano a 2 de Março de 2009 às 17:14
Tem sido assim: Consegue-se 51% das cotas de um Banco, Companhia, etc., como tem a maioria dos votos tem as rédeas da "burra" na mão, então autonomeia-se como Presidente de Administração, colocam-se lá também a mulher, os pais, os filhos e os enteados e divide-se a facturação do negócio por todos. Depois se o negócio for à falência, e decerto que vai, o deles já está garantido num qualquer paraíso fiscal, que ninguém sabe onde é e mesmo que saiba o segredo protege-os.


De Zé da Burra o Alentejano a 2 de Março de 2009 às 16:35
Agora vamos ao ensino: As reprovações nas escolas públicas vão ser gradualmente banidas e a tendência será a de que ao fim de 12 anos de escola todos os alunos possam ter o 12.º ano de escolaridade, fazendo subir com isso os índices de escolarização dos portugueses. O nível de conhecimentos adquiridos será inevitavelmente muito baixo, mas o que importa são as ESTATÍSTICAS, e assim Portugal poderá figurar "orgulhosamente" na lista de países com maior número de anos de escolaridade.

O 12.º ano vai ser em breve a escolaridade mínima obrigatória. Embora os jovens passem a sair do sistema de ensino com poucos conhecimentos académicos, pelo menos, enquanto por lá andam também não figuram nas estatísticas dos desempregados, o que também é bom para as tais ESTATÍSTICAS.

Assim, o facto de virem a exibir o certificado de habilitações do 12.º ano deixará em breve de dar qualquer indicação às entidades empregadoras relativamente às reais qualificações dos jovens que então vão sair das escolas e, em consequência, terão que ser as entidades empregadoras a testar os conhecimentos dos candidatos aos empregos que oferecerem. Não começaram já a fazê-lo há algum tempo?

Os alunos que frequentarem as escolas públicas poucas possibilidades terão de atingir os necessários conhecimentos para prosseguirem os estudos. Assim, os pais que desejem para os seus filhos um curso superior terão que começar a consciencializar-se desde já que a escola pública não será o caminho aconselhável para a preparação dos seus filhos, mesmo que sejam crianças inteligentes e interessadas. O ambiente não será o melhor para que tenham sucesso por vários motivos:

1.º) na mesma sala coexistirão muitos alunos com fracos conhecimentos, porque não havendo reprovações, não haverá necessidade de empenho, nem nos estudos, nem na assiduidade às aulas;
2.º) com o fim do ensino especial terão por colegas jovens com deficiências várias: auditivas, de comunicação e até psíquicas;
3.º) porque todos os jovens são obrigados a frequentar a escola enquanto menores, mesmo que por ela não revelem qualquer interesse, terão por colegas outros jovens que apenas por lá andam porque o sistema a isso os obriga. Alguns deles utilizam a escola, os colegas e até os professores para se divertirem, gozando-os e boicotando as aulas.

VIVAM AS ESTATÍSTICAS!


De Zé da Burra o Alentejano a 2 de Março de 2009 às 16:56
Falei em "ESTATÍSTICAS"?
AH! essas há-as para todos os gostos. Há quem se refira a elas a torto e a direito, principalmente os políticos quando querem provar o valor das suas decisões. Mas as estatísticas respondem conforme a conveniência desde que haja a habilidade suficiente para preparar os questionários mais adequados que lhes servem de base. Quando aprendi alguns fundamentos de estatística foram logo ensinados os pontos fracos das estatísticas e em particular de um valor muito falado que se chama a "Média" que pode ser utilizada até para demonstrar uma realidade que pode não existir. O seu cálculo é muito simples: somam-se os valores de cada uma das ocorrências (rendimentos, anos de escolaridade, esperança de vida, número de pães comidos, etc) e divide-se pelo o número total de ocorrências.

Exemplo 1 - Num grupo de 10 pessoas: 9 ganham 100€ e 1 ganha 100.000€. Concluímos ganham uma média de 10.090€ cada uma. Nada mau! mas eu diria antes: coitados dos 9 indivíduos que ficam com rendimento razoável mas que ganham só 100 € cada um.

Exemplo 2 – Num grupo de 100 pessoas: 80 não têm acesso à saúde preventiva e mesmo em situações agudas têm extrema dificuldade de aceder aos cuidados de saúde, mas as outras 20, de um grupo privilegiado, fazem “check up’s” regulares e saúde preventiva; aos primeiros sinais de doença são rapidamente assistidos no hospital, em casa ou vão ao estrangeiro. A “esperança de vida” destes 20 é muito superior à dos outros 80. Assim, poderão obter-se valores médios de esperança de vida muito bons que nada têm que ver com os 80% de desfavorecidos.

Exemplo 3 – Num país os alunos têm uma escolaridade obrigatória de 6 anos e transitam de ano apenas à medida que os conhecimentos adquiridos são comprovados em exame sério e exigente; Num outro país os alunos têm uma escolaridade obrigatória de 12 anos mas transitam automaticamente de ano e ao fim de 12 anos de escolaridade todos possuem o 12º ano. Quando as estatísticas forem confrontadas os segundos parecem melhor habilitados, mas será verdade? Estas duas situações não podem ser comparadas.

Exemplo 4 – Numa estatística sobre o desemprego seguimos métodos diferentes:
1º caso) consideramos como desempregados todos os indivíduos adultos que não estando doentes não trabalham nem estão em formação;
2º caso) Igual ao caso anterior mas que estejam inscritos nos Centros de Desemprego em busca de um emprego;
3º caso) igual ao caso anterior mas excluimos da lista de desempregados os que não se apresentem semanalmente a confirmar a sua situação de desemprego nos Centros de Emprego.

Para cada um dos métodos teremos resultados diferentes, é só escolher: o desemprego é sucessivamente reduzido do 1º caso para o 2º e deste para o 3º.

Zé da Burra o Alentejano


De ruyferreira a 2 de Março de 2009 às 16:59
Estamos em aparente sintonia. Já visitou o www.mudarportugal.pt? RF


De Zé da Burra a 2 de Março de 2009 às 17:18
Caro "ruyferreira"
Não visitei o site que refere mas vou fazê-lo...


De ruyferreira a 2 de Março de 2009 às 17:22
Muito a proposito:
“ORDINARIAMENTE todos os políticos são inteligentes, escrevem bem, discursam com cortesia e pura dicção, vão as faustosas inaugurações e são excelentes convivas. Porém são nulos a resolver crises. Não têm a austeridade, a concepção, nem o sentido público, nem a experiência que faz o ESTADISTA. É assim que há muito tempo são regidos em Portugal os destinos públicos. Política de acaso, política de compadrio, política de expediente. País governado ao acaso, governado por vaidades e por interesses, por especulação e corrupção, por privilégio e influência de camarilha, será possível conservar a sua independência?” Eça de Queiroz 1867 “O Distrito de Évora”
142 anos depois nada mudou!


De Zé da Burra o Alentejano a 3 de Março de 2009 às 10:27
Concordo obviamente com muitas das críticas que constam no site que me sugeriu visitar, porém, não incluo alguns partidos citados (os pequenos) como tendo responsabilidade na situação que vivemos, embora também não concorde plenamente com eles pois usam também de muita demagogia na sua ânsia de crescerem e atingirem o poder, mas a verdade é que ainda não o conseguiram nem isso estará para breve. Quem nos tem governado desde há 30 anos têm sido sempre o PS ou PSD, partidos que têm cerca de 80% dos votos dos portugueses e cujas diferenças são apenas as de criticar o opositor quando não estão no poder porque são ideologicamente as duas faces do mesmo projecto político, daí a chamarem-se a eles próprios de ALTERNÂNCIA DEMOCRÁTICA. NÃO HÁ ALTERNATIVA. É esta situação que deveria mudar; acrescentar novos partidos às futuras eleições de nada serve porque não sendo conhecidos, sem figuras mediáticas e sem influência na rádio, tv, jornais e dinheiro, muito dinheiro para cartazes, campanhas publicitárias que os lancem, nunca chegarão a eleger qualquer deputado e assim quem ganha serão os dois maiores partidos que todos nós conhecemos.

Julgo que seria melhor apostar na pulverização do voto nos partidos que fazem já parte do espectro actual: o ideal seria que numa primeira fase a hegemonia dos 2 superpartidos (o centrão) fosse quebrada, sendo os votos distribuídos por todos os outros já conhecidos e que fazem parte da assembleia. Se houvesse um maior hequilíbrio no número de deputados, teria que haver uma maior negociação e portanto mais democracia; os que chegassem ao poder, eventualmente o PS, PSD e CDS/PP coligados com pouco mais de 50% dos deputados, teriam que negociar para o manter e, sobretudo, agradar ao povo que os elegeu porque a vitória poderia fugir-lhes a qualquer momento, MAS PARA O OUTRO LADO; também não seria tão fácil o aparecimento de clientelas porque o poder seria mais instável. É que as clientelas ajudam os partidos, mas, como "NÃO HÁ PÃO PRA MALUCOS", quem ajuda espera um retorno depois do grupo ou partido que foi auxiliado chegar ao poder.


De ruyferreira a 3 de Março de 2009 às 15:40
Não acredito que no estado actual os partidos do centro tenham vontade ou capacidade de mudar o estado das coisas. São eles os responsáveis pela situação actual (à parte da crise financeira recente). A Justiça não funciona porque deliberadamente se pretende que não funcione. Esta é a minha tese. Só um partido novo poderá provocar a reforma. A ocasião é propícia. 3,2 milhões não votaram e estão em maioria.
Está nas nossas mãos o querer mudar. "Se nada fizermos nada mudará". A crise é enorme. Todos nós iremos pagar bem caro a nossa falta de decisão em mudar. A abstenção tem levado a que a Esquerda tenha governado este país os último 13 anos. Não entenderam que a riqueza é apenas produzida nas empresas. É preciso ajuda-las e o que o Estado tem feito é justamente o contrário. M.F.Leite dizia há um ano que baixar o IVA de 1% era um erro por indicar ao país que a crise tinha passado!!! Com um endividamento de 2 milhões por dia (diferencial entre o que importamos e o que produzimos) quem pode acreditar que 1% no IVA possa dar essa indicação. No entanto estamos 3% acima do IVA Espanhol (compra-se em Espanha por ser mais barato e agrava-se o deficit). Só não vê quem não quer. O IVA tem que baixar sim, para os 17%, e o Estado, os Governantes, têm de reduzir os seus custos, as suas sumptuosidades, e adaptarem-se ao país real onde vivem. Não adianta subir impostos porque só conseguem retirar menos impostos, já que em sequência a economia retrai-se. Conservar os impostos no Estado não pagando as respectivas dívidas aos fornecedores agrava mais a situação. E uma vez mais quem agradece são os Bancos que têm que financiar e depois pagam apenas 12% IRC!
Não acredite que este estado de coisas muda se não se apostar em novas gentes e num novo partido.
A ocasião é propícia. Este ano há mais opções, mais partidos com boas propostas, e a situação é efectivamente dramática (cada vez produz-se menos, importa-se mais, a criminalidade aumenta, a corrupção segue incólume, o ensino prepara incapazes para os próximos anos, a segurança social definha com tantas e múltiplas reformas antecipadas). Há que por cobro nisto se não, não haverá país para recuperar. A situação é grave, e é tão mais grave pois não sabemos como irão comportar-se as restantes economias face à recente mundial crise instalada e que pode estar para durar. Recordemos o período total da crise no final do século XIX.


De Zé da Burra o Alentejano a 5 de Março de 2009 às 15:23
Acho muito aliciante baixar o IVA para 17%, reduzir o IRS para a generalidade dos portugueses, o Imposto Automóvel para aumentar as vendas, o IRC para evitar que as empresas se deslocalizem, se dê incentivos ao investimento e ao consumo. Porém, quem paga a redução de receitas nesta hora de agonia financeira? Concordo que esta não é a hora de se falar em TGV e Aeroporto em Alcochete, nem sequer novas autoestradas serão necessárias se os portugueses não tiverem dinheiro para comprar automóveisn nem gasolina, nem pagar portagens. Nãoserá o turismo "a galinha dos ovos de ouro", porque esse é composto de cidadãos que estão também a perder poder de compra. Não é por acaso que o Algarve e a Madeira ter menos turistas. Aconteceu no Carnaval e vai repetir-se no verão.


De ruyferreira a 6 de Março de 2009 às 12:21
A minha crítica sobre a estratégia deste governo, e não só, é a sua política de se preocupar com o desemprego e não com o emprego. A baixa de impostos às empresas foi uma política seguida pela maior parte dos países face à crise. Continuar o Estado a dever às empresas é intolerável. Pelo menos que se estabeleçam encontros de contas. 17% de IVA é desejável. 19% seria menos mau.
A questão é que sempre se penalizaram as empresas e estas ou se deslocalizam, nem que seja para Espanha como muitos fizeram, ou aguentam (felizmente muitas conseguem) ou fecham (em Janeiro 10/dia).
O que está em causa é mérito dos governantes em geral, sejam ao nível autárquico, seja ao nível da administração. Houve demasiada partidarização da administração onde não abunda o mérito. Essa opção política é possível porque a Justiça não funciona. Não há responsabilização. Tudo é permitido. Por isso o MMS defende o Mérito, a Ética e a reforma da Justiça como o único meio de moralizar a sociedade. Mais pragmatismo, mais celeridade, mais responsabilização. Sem ela o desgoverno é o que vemos, todos se queixam, mas o partido do Governo mantém ainda a maioria! Está na hora de mudar. Se não mudarmos não haverá depois nada para recuperar!
RF


De Zé da Burra o Alentejano a 6 de Março de 2009 às 17:07
A crise é o resultado de políticas neoliberais que foram introduzidas há cerca de 20 anos com o fim do "Comunismo". O ocidente caiu na armadilha da Globalização que os bancos e as grandes companhias lhe venderam. A actual crise não é apenas uma crise criada pela especulação bolsista americana e pela não fiscalização das reservas monetárias de segurança da generalidade dos bancos e dos fluxos monetários com destino aos paraísos fiscais onde depois se perde o rasto do dinheiro. Os bancos e as grandes companhias visavam a obtenção de maiores lucros. Os primeiros procuravam a liberdade total para fazerem o que muito bem entendessem ao dinheiro que lhes era confiado; os segundos pretendiam aproveitar-se dos baixos custos de produção no extremo oriente em virtude dos baixos salários e da inexistência de obrigações sociais. O resultado já está à vista: o descalabro bolsista e bancário, a falência de uns bancos e as ajudas governamentais a outros; a necessidade de corte nas produções industriais das empresas, incluindo nas que já se mudaram para os novos países, porque as produções se destinavam sobretudo à exportação para o ocidente onde estão as populações com maior poder de compra que está agora em rápido declínio, como fruto da globalização criada.
Ao aderirem ao desafio da globalização, os países ocidentais e da União Europeia prometeram ao seus cidadãos que as suas economias se tornariam mais robustas e competitivas e não exigiram aos países do oriente que prestassem às suas populações mais e melhores condições sociais: regras laborais justas, melhores salários, menos horas e menos dias de trabalho, férias anuais pagas, assistência na infância, na saúde e na velhice para poderem aceder livremente aos mercados ocidentais. Não! o ocidente optou simplesmente por abrir as portas à importação desses países sem que essas condições fossem satisfeitas, criando assim uma concorrência desleal e “selvagem” da qual o ocidente nunca poderá ganhar. A única solução será a de nivelar as condições sociais dos trabalhadores ocidentais pelas desses países e que são miseráveis (crianças chegam a ser vendidas pelos próprios pais para servirem de escravos). O ocidente franqueou as suas portas a países que estão em rápido desenvolvimento tecnológico com custos de mão de obra insignificantes e sem comprometimento com a defesa do ambiente, com tecnologias altamente poluidoras e mais baratas.
Estamos a assistir neste momento a uma tentativa desesperada de resistir a uma guerra perdida, nivelamento por baixo as condições sociais dos trabalhadores ocidentais. Daí a revolta que se observa nos vários países da UE. Mas será que os trabalhadores ocidentais vão aceitar trabalhar a troco de dois ou três quilos de arroz por dia, sem direito a descanso semanal, férias, reforma na velhice, etc...? Não! O resultado será um lento definhar em direcção ao caos e enquanto umas empresas fecham portas para sempre, outras se deslocam para a China ou para Índia para não serem sufocadas pela concorrência desleal, mas, até mesmo essas terão que reduzir a sua produção porque os ocidentais estão a perder rapidamente poder de compra. Entretanto, no ocidente a indigência, a marginalidade e o crime mais ou menos violento irão crescer e atingir níveis inimagináveis, apenas vistos em filmes de ficção ou referidos nos escritos bíblicos do apocalipse. Espera-nos uma espécie de nova “Idade Média”, onde restarão alguns privilegiados, protegidos por alta segurança, enquanto a maioria se afunda no caos: desaparecerá a chamada classe média e de remediados. Há que recuar mas será que ainda vamos a tempo? Apesar de todas as crises quem vai ganhar é a China, a Índia, a Tailândia, etc. Poderão dizer que a crise é global, mas para a China representa crescer 7 ou 8% em vez de 15 ou 20%. Para aí é que vão as deslocalizações e não para Espanha, de onde estão também a deslocalizar-se muitas produções industriais.

Os políticos portugueses do PS e PSD alinharam sempre pelas teses desta globalização. Ora aí têm o resultado!



De ruyferreira a 7 de Março de 2009 às 14:00
Agradeço o seu comentário. Partilho inteiramente consigo a mesma ideia. É por isso mesmo que a actividade política na UE é extremamente importante para poder devidamente defender os nossos interesses. Cada país tem os seus interesses e será no Parlamento Europeu que os argumentos deverão ser esgrimidos. É por isso muito importante a escolha que faça nos candidatos ao parlamento Europeu. Mais uma vez temos a partidocracia a ditar as listas.
A adesão à UE foi claramente a nossa salvação no momento em que ocorreu. A adesão ao Euro foi também uma medida inevitável. Quanto mais não fosse, a fragilidade da nossa moeda nos mercados financeiros assim o impunha.
A Globalização é uma faca de dois gumes. Se não se faz a instabilidade mundial agudizava-se devido aos desníveis económicos escandalosos. Se se faz é inevitável que a descida do nível económico dos países ricos e a subida do nível económico dos países pobres/emergentes como num tubo com dois fluidos de vasos comunicantes. A questão estará na velocidade com que se implementa a Globalização. Ela deveria se lenta, deixando que os níveis sociais se fossem ajustando para que a competitividade fosse equilibrada. Mas não. Houve uma correria à deslocalização de empresas na ganância do lucro fácil. Os resultados estão à vista. As economias vão-se equilibrando lentamente.
Mas a nossa crise tem também outras causas. Nenhuma economia é viável se a Justiça não funcionar. E a nossa não funciona. Pouco ou nada se investiu nesta matéria. Vemos dia a dia a grande criminalidade ocorrer com mais frequência, a pequena criminalidade também prolifera, como os desfalques, a corrupção quer ela seja no futebol ou na administração pública, ou nos governantes, os exageros nos prémios e nos salários praticados nos gestores públicos que inflacionam o sector privado, os abusos dos fortes do sector privado sobre os mais fracos que não têm capacidade ao custo e ao tempo que os processos levam. Hoje mesmo, ouvi o PGR dizer bem alto que nada justifica o tempo já decorrido no caso FREEPORT. Diz-se por um alto representante da justiça em Portugal. Para quem quis ouvir disse-o o ex-bastonário da Ordem dos Advogados A. Pires de Lima, como também o disse o actual, ou ainda o Secretário da Associação dos Juízes, como Medina Carreira. Todos se queixam mas o Governo nada faz. Pior o Sr. Pinto de Sousa, no seu discurso final no Congresso do PS limitou-se, ao referir-se à Justiça que desejava “mais celeridade”!!! E é só isso?! Quando é que se revê a validação dos meios de prova? Quando é que se eliminam as permissividades introduzidas nesta legislatura no Código de Processo Penal? Ao abrigo da revisão da Prisão Preventiva muitos criminosos foram postos em liberdade no momento da publicação da Lei, como continuam a ser libertos por falta de tempo de coligirem as provas conforme a Lei preconiza na defesa intransigente dos direitos de presunção de inocência. Há muito para fazer e o PS não está para aí virado, antes pelo contrário. O estado das coisas permitem “governar” livremente sem riscos e sem responsabilização.
É por isso que insisto na necessidade de se mudar. Votar nas próximas eleições mas em quem tenha no seu programa colmatar o DEFICIT DE JUSTIÇA, revendo o que for necessário. É preciso um partido que defenda o Mérito. Por isso penso que só um partido novo, sem compromissos eleitorais é que poderá implementar as reformas de que o país necessita. É preciso dizê-lo à exaustão. É o nosso futuro que está em causa. Os 35 anos de Governação trouxeram-nos um endividamento de 90% do PIB (segundo Medina Carreira em Dezembro de 2008 serão realmente 250% - esse é o verdadeiro endividamento - o diferencial é o que nos devem a nós mas que vencem taxas de juros diferentes). E o que mais ainda nos deve preocupar é um deficit diário sempre crescente de 2 milhões de euros por dia. Para onde nos leva este PS se voltar a ganhar?
RF


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