Quarta-feira, 11 de Março de 2009

Como está o país que Sócrates governa há quatro anos?

Este é um título da SIC onde se realizou um inquérito em “Como avalia o trabalho do Governo nestes quatro anos?”. O Resultado é de uma ligeira vantagem do “Positivo” 403 votos, contra “Negativo” com 377.

 
Faz-me lembrar a história do sapo dentro de uma panela com água ao lume. Enquanto a água está fria, o sapo sente confortável. À medida que a temperatura aumenta o conforto melhora um pouco, piora um pouco, e quando a água está realmente quente o sapo já não tem força para saltar e assim morre. Será que estamos todos a dormir? Os números não enganam.
Forneceram-me a seguinte a tabela e que a seguir transcrevo, com os indicadores económicos em 2004 e os previstos para este ano 2009.
 

 
2004
2009
Rendimento por habitante (UE-27=100)
74,4
73,3
Crescimento do PIB (%)
1,5
0,6
Inflação (%)
2,4
2,5
Deficit externo (% do PIB)
6,1
11,1
Endividamento da economia (% do PIB)
64
90
Endividamento das famílias (% do PIB)
78
91
Endividamento das empresas (% do PIB)
99
114
Endividamento empr. + familias (% do PIB)
177
205
Taxa de desemprego (% da popul. Activa)
6,7
7,6
Carga fiscal (% do PIB)
33,8
38
Despesa pública total (% do PIB)
46,5
47,8
Despesa pública corrente (% do PIB)
42
44,3
Despesa pública corrente primária (% do PIB)
39,3
40,9
Investimento público (% do PIB)
3,1
2,5
Deficit público (% do PIB)
3,4
2,2
Dívida pública (% do PIB)
58,7
64

 
Apenas o Deficit Público teve um resultado positivo. O endividamento do Estado, das Famílias e das Empresas continua a crescer. A carga fiscal subiu de 33,8 para 38% do PIB, ao nível da Alemanha onde as contrapartidas sociais dos impostos são incomparavelmente superiores, tal como a sua indústria. Como podemos pensar que a Governação PS foi boa? Será que só acordaremos como o sapo, quando já for tarde? Pergunto-me mesmo se iremos a tempo. O endividamento do Estado,das empresas e das famílias em breve atingirão 3 x PIB.! O nosso rating baixou e a taxa de juro subiu! E subirá mais ainda.
 
Ouvi com atenção Medina Carreira na entrevista que deu na SIC a Mário Crespo. Só consegui discordar com ele quando generalizou e disse que não há portugueses sérios, honestos, capazes de defender a coisa pública. Dizia que os novos partidos são gente igualmente à procura de emprego no Estado. Neste ponto não posso estar mais em desacordo. Aparentemente já teríamos passado o ponto onde já não há volta. Admito que os valores que fazem uma nação, a ética, a moral, o civismo, a seriedade não tenha sido ministrados nas escolas que existam muitos portugueses que se poderão perguntar “o que é isso”, mas há ainda quem seja capaz de levar o país a bom porto. Sempre conseguimos dar a volta às situações e estou esperançado que o consigamos nas próximas eleições. É tempo de acordar. Se nada fizermos nada acontecerá e ficaremos cozidos dentro da panela como o sapo, governados por entidades estranhas. Analise-se com cuidado cada um dos indicadores atrás referidos. E não digamos depois que é da crise. A crise financeira surgiu em 2008 e afectarão os resultados de 2009 pelo que estes indicadores poderão piorar ainda mais.
 
Indico a seguir o link para o inquérito da SIC referido.
http://sic.aeiou.pt/online/noticias/programas/opiniao-publica/Artigos/Como+esta+o+pais+que+Socrates+governa+ha+quatro+anos.htm
 
RF
publicado por ruyferreira às 14:12
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Sábado, 7 de Março de 2009

Voto nulo ou em branco

 

O voto nulo ou em branco é francamente um desperdício, uma inutilidade. Os que assim votam pretendem mostrar o descontentamento nos partidos que se candidatam e/ou nos seus programas. Estão desacreditados nos políticos. Mas qual o resultado prático e efectivo?
Ponhamos os pontos nos iis. Suponhamos que havia 50% de votos nulos ou em branco como forma de protesto. Que fará o PR? Tem duas solução: Ou decide por um governo de iniciativa presidencial ou decide propor governo ao partido mais votado como é devido. Governos de iniciativa parlamentar não têm vingam. Com a enorme crise instalada seria péssimo termos governos de curto prazo sem apoio parlamentar. Seria uma aventura que estou certo este PR não se atreveria. Assim sendo só restará ao PR a 2ª solução. De que vale então um voto nulo ou branco? Literalmente para nada. Serve exclusivamente para deixar que outros decidam por nós qual o tipo de Governo que desejarem. A desculpa pessoal que não votei em qualquer partido de nada serve. Seremos sempre governados pela maioria que votou num dado partido. É esse o destino do país nos próximos 4 anos. Acho que devemos votar para ou fortificar o poder do partido eleito, ou fortalecer a oposição que deverá ponderar e contrapor a governação pelo partido eleito.
Tenhamos presente que 3,2 milhões de cidadãos não votaram em 2005. Deixaram aos simpatizantes PSs os destinos do país com apenas 2,59 milhões e uma maioria absoluta. Será isso o que desejamos outra vez? É recomendável que façamos o nosso dever cívico e votemos em quem acreditarmos serem capazes de nos governar nos próximos anos. Votar num pequeno partido é também uma opção válida. É aliás o que se recomenda quando a opção é não votar ou votar nulo por não acreditarmos, ou não nos revermos nos partidos do poder. Certamente no leque partidário português haverá em quem se possa votar sem risco de vir a ser governo. Será um voto de protesto mais útil dando uma orientação de voto e premiando a persistência dos dirigentes desse mesmo pequeno partido.
Uma outra opção bem mais útil é o de colocar o voto em novos partidos que defendam as nossas teses forçando-os a, pelo menos, terem voz parlamentar e até mesmo serem chamados a coligações, se não memso a governar. Se nada se fizer, tudo ficará na mesma excepto a criminalidade, o endividamento, a impunidade, o desemprego que irão crescer comprometendo o desenvolvimento do país e proporcionado a revolta e instabilidade civil. O aviso está feito por Mário Soares e Medina Carreira, entre muitos outros que vão alertando para os perigos eminentes. Assim dizia Medina Carreira em Dez. 2008, "isto irá acabar com muito barulho”.
RF
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publicado por ruyferreira às 22:50
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Quarta-feira, 4 de Março de 2009

O TGV será solução?

 

Muito se tem falado sobre o TGV. Na verdade pouco se tem dito, a bem da verdade, de forma a se poder uma ideia clara do que está em causa. Ser sempre negativista é mau. Há que avaliar as coisas com mais informação e mais sentido crítico.
 
A Linha do Norte está congestionada. Não suporta mais tráfego. Há composições Intercidades que têm que esperar nas estações para deixar passar o Alfa. Há comboios de mercadorias que têm igualmente parar e esperar. E este sector necessita de crescer. O Intercidades também não satisfaz. É muito lento. A saída do ALFA desta linha é absolutamente necessário para uma melhor prestação de serviços. Há uma efectiva necessidade de duas linhas. O novo traçado deverá ser independente podendo comportar uma composição tipo TGV (ou CAV à portuguesa) O que está em causa é se será para composições TGV ou para composições ALFA PENDULAR.
 
Posto o problema desta forma entende-se que o que se tem que decidir é o tipo material circulante.
 
Do meu ponto de vista, dada a situação económica de Portugal, com um deficit de 2 milhões/hora a solução TGV deverá ser adiada até não haver deficit. É um luxo a que não podemos ter direito agora, nem nos tempos mais próximos. O Pendular é sem a dúvida a solução a adoptar. Haverá apenas que eventualmente mudar a bitola para a Europeia de forma as composições europeia possam circular por estas linhas.
Esta solução deveria reequacionada com Espanha para a linha Lisboa-Madrid.
 
Há que ter em conta também as condicionantes dos custos de manutenção e do limitado número de fornecedores para o TGV. Com o ALFA tudo é bem diferente. Há mais incorporação nacional e uma oferta mais alargada de empresas. E, bens vistas as coisas, o ganho de tempo não justifica o preço.
 
Sejamos claros o TGV é para viagens Continentais, na ordem dos 450 a 600km. Justificáveis no Lisboa-Madrid. Só que a ocasião não é propícia para esse luxo. A Linha deverá ser de bitola Europeia (largura entre carris) e deverá permitir também o tráfego ferroviário Sines-Madrid tal como acontece com Madrid-Valencia (passageiros e mercadorias). É importante situar-nos no contexto ibérico e europeu quando avaliamos as grandes decisões estratégicas.
 
Em suma, no contexto actual a linha Lisboa-Porto deverá ter uma linha nova com composições ALFA-PENDULAR. A Linha Lisboa-Madrid deveria ser TGV mas a prazo, dada a situação actual. Será desejável renegociar com Espanha, mas sempre com bitola europeia.
RF
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publicado por ruyferreira às 17:19
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Segunda-feira, 2 de Março de 2009

O deficit de Justiça

Num congresso tão supostamente importante como foi este do PS que levou o Primeiro-ministro a faltar à cimeira Europeia, cimeira crítica face à crise instalada, apenas disse sobre Justiça que é preciso "mais celeridade". Não é isto que diz a Nação. Não é isto que diz António Pires e Lima ou o PR, ou ainda no sítio www.smmp.pt/?p=2827. Todos sentimos a falta de Justiça em Portugal em praticamente todos os domínios. A Justiça é o sustentáculo do Direito. Pires de Lima dizia que não vivemos num Estado de Direito. E não vivemos. Portugal parece ser um paraíso para a criminalidade europeia e não só. A impunidade e permissividade das Leis, com especial responsabilidade pela revisão do Código do Processo Penal por este Governo, imperam. Criminosos são amplamente protegidos pela Lei enquanto as vítimas são abandonadas, penalizadas. Além da pequena e grave criminalidade, há ainda a criminalidade de colarinho branco que aparentemente só criminaliza um ou dois.

Faz falta, muita falta, cultura Ética no nosso país. Faz falta sentido de responsabilidade.

A impunidade que se vive fere profundamente a possibilidade de induzir ética e responsabilidade. A Revisão do Código de Processo Penal, a forma de apresentação de prova de crime, são absolutamente necessárias se queremos repor a Ética no comportamento dos cidadãos, e muito em especial dos nossos representantes na Governação. Sem esta revisão só nos resta assistir à derrocada final de Portugal e desta República. Mediana Carreira e Mário Soares já avisaram que isto, se continua assim vai acabar mal. E pelos visto nada de novo está previsto para a Justiça apenas um aumento da celeridade. E se, aparentemente, há menos processos pendentes não se deve a mais celeridade mas uma contenção dos cidadãos face ao presente Estado da Justiça: Não vale a pena defender-nos! Até quando é que isto vai aguentar?

E o que falar do Secretário de Estado da Educação que se indigna quando a jornalista lhe pergunta se "no final  aluno não tiver aproveitamento de todo o que acontece?". O Secretário de Estado afirma que isso não pode acontecer. O que se tem é que fazer tudo para que ele passe de ano. Os alunos chegarão ao 12º ano sem tear prendido a superar barreiras, a esforçar-se por aprender e vencer exames. Não estará certamente preparado para vencer no mundo empresarial, para ultrapassar dificuldades, aceitar desafios e vence-los. Passarão os anos perdendo a sequência da aprendizagem no primeiro ano em que se fosse avaliado não tivesse aproveitamento. Como poderá resolver equações se não aprendeu as fracções? Como poderá chegar ao 12º ano com aproveitamento?

Não só geramos alunos desintegrados nas disciplinas, como também desmotivamos os bons alunos que progridem lentamente e penosamente.

E no final temos pessoas com diplomas, exigindo emprego, a que o tecido empresarial não pode reconhece mérito, gerando revoltados, inconformados, sem ocupação, preparadas para actuações que podemos reconhecem existir nos países que seguram esta política.

Qual será o nosso futuro se mantivermos este estado de coisas. Está na hora de mudar. Num ano de eleições está na hora de mostrar o cartão vermelho e procurar que queira realmente mudar o Estado da Justiça e da Educação. É preciso MUDAR PORTUGAL enquanto é tempo. E está na nossa mão com o voto certo no partido certo. RF

 

publicado por ruyferreira às 13:08
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